1. HISTÓRIA


Vista Aérea do Município de Penedo-AL

Vista Aérea do Centro Histórico e Arquitetônico da antiga Vila do Penedo do Rio São Francisco – Atual Cidade de Penedo-AL.

 FUNDAÇÃO DA CIDADE DE PENEDO/AL

 

PREÂMBULO:

           A origem da Cidade de Penedo-AL é repleta de incertezas, a exemplo de cidades lendárias (Roma e Antenas) Os melhores nomes da Historiografia alagoana trazem informações contraditórias sobre data de sua fundação. TÓMAS ESPÍNDOLA, MORENO BRANDÃO, DIÉGUES JÚNIOR, JOÃO CRAVEIRO COSTA e JOSÉ PRÓSPERO DA SILVA CAROATÁ, cada qual se insere numa corrente e tem a sua versão. ABELARDO DUARTE defende que o fato se deu nos idos de 1535. WERTHER VILELA BRANDÃO afirma não haver nenhuma documentação comprovando o aparecimento do burgo no século XVI.

          O espaço geográfico, que é o maior centro de arte barroca e neoclássica do Estado de Alagoas, foi Povoado Penedo do São Francisco, Vila de São Francisco (1636), Vila Maurícia (1637), Vila Penedo e Vila São Francisco (ambas até 1680), Vila do Penedo do Rio São Francisco (1700), e, finalmente, Cidade de Penedo (1842), sinônimo de pedra e de rocha, cujo topônimo é em razão do grande penedo sobre o qual se assenta.

A ORIGEM:

        Tudo começou em 1501, quando o navegador AMÉRICO VESPÚCIO na expedição que também era comandada por ANDRÉ GONÇALVES, em viagem de inspeção ao continente, descobre a foz de um rio e em homenagem a São Francisco de Assis (festejado naquela data de 04 de outubro de 1501), foi denominado de Rio São Francisco, milenarmente conhecido pelos indígenas como “Opara dos Caetés” (Rio-Mar), pois na imaginação dos nativos o rio era tão grande quanto o mar. Porta de entrada para o interior, para o grande sertão, veículo de civilização e cultura do nosso povo.

          No ano de 1502, a Europa já ouvia falar sobre o Rio São Francisco através da Carta Geográfica de ALBERTO CANTINO, despertando interesse para suas minas de ouro e prata.

          Em 1532, DUARTE COELHO PEREIRA, recebeu por determinações do El-Rei de Portugal, Dom JOÃO III, o comando da frota encarregada de afastar os franceses do litoral brasileiro.

      Em 10/03/1534, D. JOÃO III (aclamado (13º) Rei de Portugal em 19/09/1521), tornou concreto o seu plano, criando no Brasil as Capitanias Hereditárias. Na divisão, pelo Foral de 24 de outubro de 1534, coube ao fidalgo português DUARTE COELHO PEREIRA a doação equivalente a 60 léguas de litoral, região da Capitania de Pernambuco (Nova Lusitânia), situada entre o Rio Igaraçú (Recife) e o Rio São Francisco, Dentro desse contorno geográfico, estava uma futura povoação, hoje Cidade de Penedo.

         Em 09/03/1535, DUARTE COELHO PEREIRA tomou posse da Capitania, quando desembarcou num dos principais ancoradouros litorâneo, na Ilha de Itamaracá (Pernambuco Velho), às margens do Rio Santa Cruz, na região do “Sitio dos Macacos” (Núcleo de Povoamento fundado em 1516). Não tão distante dali, numa Feitoria Regia (usada para o tráfico de pau-brasil), toda Comitiva se abrigou em uma fortaleza de madeira, ocorrendo a posse do primeiro donatário, estando ele acompanhado de sua esposa Dona BRITES (BEATRIX) DE ALBUQUERQUE (filha de Lopo de Albuquerque e de D. Ana de Bulhões, nascida em 1517 Portugal e falecida em 1584 Brasil), do cunhado JERÔNIMO DE ALBUQUERQUE. e do companheiro de jornada das Índias AFONSO GONÇALVES, o qual ficou incumbido de erigir a Vila de Igaraçú. Julgando o local não ser adequado para resistir a possíveis ataques indígenas, corsários e outros inimigos, o Donatário seguiu na direção Sul e localizou a Aldeia Indígena de Marim dos Caetés, local de grandes conflitos pela posse das terras e que se constituiu na Vila de Olinda.

           Em 12 de março de 1537, DUARTE COELHO PEREIRA enviou ao rei de Portugal, D. JOÃO III, o Foral, carta de doação que descrevia todos os lugares e benfeitorias existentes na Vila de Olinda. Já no Foral datado de 27/04/1542, DUARTE COELHO PEREIRA relata sua viagem de exploração da Região Sanfranciscana,

O DESCOBRIMENTO:

        Entre 1542 e 1545, esse foi um período de luta e consequentemente o mais aceito pelos Penedenses, com relação à descoberta de Penedo. Inclusive, é a versão defendida pelos historiadores Dr. JOSÉ PRÓSPERO GEOVAH CAROATÁ DA SILVA e o Dr. ABELARDO DUARTE, . Segundo eles, a primeira povoação erguida às margens do Rio São Francisco surgiu em 1545, logo depois da fundação de Olinda (fundação: 27/09/1535 e Comemoração: 12/03/1537), cujo primeiro donatário, após ter expulsado os Franceses da Ilha de Itamaracá (Feitoria de Itamaracá havia sido bombardeada, saqueada e ocupada por um galeão Francês, em 1530), organizou uma expedição para conhecer (explorar) as fronteiras ao Sul de seu vasto território, além de combater os Piratas Franceses (pirataria de animais, aves e do Pau-Brasil) e possíveis investidas dos Índios Caetés. Rumando pelo litoral encontrou a Barra do Rio Manguaba e ali deixou vários colonos que deram origem ao Povoado Porto do Calvo, por consequência, Povoado Santo Antonio dos Quatro Rios (nomeação ligada a sesmaria do seu 1º Alcaide-mor CRISTOVÃO LINS, em 1660), Vila Bom Sucesso e finalmente Cidade de Porto Calvo (primeira base de civilização Alagoana), cuja denominação (lendária), foi em homenagem a um morador idoso (Velho Calvo), frequentemente visto naquela região.

        Mais adiante chegou ao Porto dos Franceses (atual Povoado dos Franceses), embrenhou-se nas matas chegando até a confluência da Lagoa Manguaba e o Rio Sumaúma. Os colonos que ali desembarcaram, formaram primitivamente o Povoado de Madalena do Sumaúma e/ou Lagoa do Sul (1º Alcaide-mor GABRIEL SOARES DA CUNHA), conseguinte, a futura Vila de Santa Maria Madalena e atual Cidade de Marechal Deodoro (AL).

         Continuando a exploração da costa litorânea, no dia 10 de outubro de 1545, após ter vencido a barra do Rio São Francisco, sete léguas acima da Foz (posição de 10º e 13º de latitude Sul e 6º e 31º de longitude Leste, do Rio de Janeiro), no lugar em que havia uma grande pedra,“O Grande Penedo”, encontrou um arremedo de povoamento com um “Entreposto” (Construído pelo Francesas, destinado ao embarque de Pau-Brasil), logo, determinado providências (deixado um grupo de famílias Portuguesas) para consolidá-lo, cujo núcleo (Penedo do São Francisco), seria os fundamentos da futura Vila de São Francisco, o qual em fins do século XVII passou a ser denominada Vila do Penedo do Rio São Francisco.

        Após 20 anos de gerência da Capitania de Pernambuco, DUARTE COELHO PEREIRA retornou doente a Portugal, pouco tempo depois da chegada faleceu (07/08/1554), deixando o mando a sua mulher DONA BRITES DE ALBUQUERQUE, a qual na ausência do marido e dos filhos, governou a Nova Lusitânia (entre 1553/1560 e 1572/1573), com apoio de seu irmão JERÔNIMO DE ALBUQUERQUE.

       Entretanto, diante da polêmica quanto à data de sua fundação, alguns historiadores apontam que o início (“para muitos a restauração ou o reconhecimento oficial”) da povoação se deu realmente em 1560, na expedição punitiva que os herdeiros de DUARTE COELHO PEREIRA (falecido em 07/08/1554), organizaram contra os índios Caetés. A tribo tinha devorado (1556) o Bispo Português, PERO FERNANDES SARDINHA, que julgara ter salvo sua vida ao escapar de um naufrágio (Nau Nossa Senhora da Ajuda), defronte a enseada do atual Pontal de Coruripe, no Litoral Alagoano.

         Na época (1560 a 1565), era bem forte a luta dos Índios insuflados pelos Franceses contra o elemento colonizador no Sul da Capitania. O fato chegou ao conhecimento da Rainha Regente de Portugal, D. CATARINA, tendo o segundo donatário da Capitania de Pernambuco, DUARTE COELHO DE ALBUQUERQUE (filho de DUARTE COELHO PEREIRA), juntamente com seu irmão JORGE DE ALBUQUERQUE COELHO, retornado ao Brasil, encarregado de “pacificar” os índios que atacavam a “Capitania de Pernambuco”.

       Na ocasião, o segundo donatário organizou duas bandeiras: Uma com destino ao norte de Olinda e outra para o Sul, na qual se incorporaram o próprio DUARTE COELHO DE ALBUQUERQUE e seu irmão, JORGE DE ALBUQUERQUE COELHO, ambos, após explorar do litoral, penetrou alguns cursos fluviais e,  subindo o Rio São Francisco, a sete léguas da foz, chegou a uma formação rochosa o “Grande Penedo”, a margem esquerda do rio, tendo ordenado a construção de uma Feitoria (Armazém Administrativo Oficial) no local hoje denominado de ROCHEIRA, para vigilância do gentio. Historicamente teria dado origem ao povoado Penedo do São Francisco.

        A localização do povoado que nascia na contemplação do “vai e vem” das águas turvas do Rio São Francisco (OPARA dos Caetés), já se constituía  motivo importante para o seu progresso. Logo, a prosperidade do povoado, tem como fator importante e decisivo a sua localização geográfica, ensejando a facilidade de acesso de novos valores que chegaram para fazer circular as suas riquezas.

         Discussões à parte, o fato é que, apesar da primeira sesmaria registrada na região ser datada de 1596. Consta que o território alagoano foi dividido em 12 sesmarias e o primeiro colonizador das terras do São Francisco foi o Português da Vila Viana, ANDRÉ DA ROCHA DANTAS (Esposa D. Maria Barbosa – filha de outro proprietário daquela região), proprietário de fazenda de gado. Os filhos do casal se casaram com membros das famílias LINS do Povoado Porto do Calvo (homenagem a um velho calvo, morador das redondezas). Coube também a BELCHIOR ALVES CAMELLO (1º Alcaide-mor de Penedo) e a LEONARDO PEREIRA DA CUNHA, terras na foz e margem, respectivamente, do Rio São Francisco.

          Em 1600, Dom CONSTATINO BARRADAS sucedeu Dom Frei ANTÔNIO BARREIROS – 3º Bispo do Brasil (empossado em 1576) e nos primórdios do século XVII (ano 1613) chegou ao Penedo CRISTOVAM DA ROCHA (sesmeiro) que recebeu terras da coroa e, com ele vinha o desejo de construir uma Capela em honra de Santo Antonio.

        Em 1614, CRISTOVAM, recebeu a solicitada autorização do Bispo do Brasil, D. CONSTATINO BARRADAS e a Capela (primeira) em homenagem a Santo Antônio foi erguida.

            A primeira Capela (linha jesuítica, uma porta, duas janelas na fachada, nave única e uma sineira) foi edificada no local (hoje à Rua Dr Fernandes de Barros) que posteriormente fora construído o sobrado (linha colonial – irresponsavelmente demolido) dos herdeiros do abastado negociante JOSÉ JOAQUIM RODRIGUES GUIMARÃES, atrás da Igreja (Matriz) de Nossa Senhora do Rosário (Catedral Diocesana).

          Também em 1614, FERNÃO VAS FREIRE, obteve a Ilha de Genipapo e a Ilha de Perucaba e após sua morte passaram a pertencer à Ordem de São Bento.

          Pelo ano de 1615, D. CONSTATINO BARRADAS, elevou o Curato de Santo Antonio do Povoado do Penedo do São Francisco à categoria de Paróquia, conservando o mesmo Orago. Anos depois, aquele povoado já registrava a presença de um Vigário (MANOEL VIEIRA LEMOS), na Freguesia, o qual em março de 1637, fugiu da Vila acompanhado de muitos paroquianos, temerosos da Invasão Holandesa.

           Após a derrota dos Holandeses (Protestantes Calvinistas) e destruição do Forte Maurício de Nassau (1645), na área restou apenas a Velha Capela Primitiva que ficará dentro do Forte servindo de depósito para o armamento Holandês, a qual ficou deteriorada e uma outra Capela fora edificada no local onde se encontra a majestosa Catedral Diocesana.

         O progresso era patente na região Sanfranciscana, havia o cultivo de uma pluricultura que gerava recursos. Os Homens quase todos pastores, viviam da criação de bois e vacas, da pesca, do plantio e colheita do fumo, da fabricação de farinha de mandioca e do preparo da Carne Seca  Apesar da existência de cinco ou seis engenhos, poucos fabricavam açúcar e alguns não realizavam moagem.

          Diante do progresso, em 12 de abril de 1636, o quarto e último donatário da Capitania de Pernambuco, DUARTE DE ALBUQUERQUE COELHO (filho de JORGE DE ALBUQUERQUE COELHO), “O Marquês de Basto” e/ou “Visconde de Pernambuco”, elevou oficialmente o povoado Penedo do São Francisco a categoria de Vila (Decreto Lei 12/04/1636), com a denominação de Vila do Penedo do Rio São Francisco, recebendo o título de “Mui nobre e sempre Leal”, fato este registrado nas Memórias Diárias da Guerra do Brasil escrita pelo 4° Donatário (Livro Memórias Diárias da Guerra do Brasil, publicado em 1654, em Espanhol, pelo próprio Donatário).

          As “Memórias Diárias” de Duarte de Albuquerque Coelho, publicadas em Madrid em 1654 e escritas pelo próprio punho do Donatário, – assim afirma o copista: – “Aos doze dias de abril, ano de 1636, foi elevada a condição de Vila a povoação de Porto Calvo, com o título de “Bom Sucesso”, e também as povoações de São Francisco (Penedo), e Lagoas do Sul (Marechal Deodoro), conforme os privilégios que tem de El-Rei”.
          Assim, é uma data bem esclarecida, merecedora de crédito e confiança, pois fora escrita pelo próprio Duarte de Albuquerque Coelho, que registrou um seu ato praticado em nome do Rei. – Livro na Biblioteca José e Guita Mindlin.

         A condição de Vila foi garantida pelo fato do Burgo ser considerado centro polarizador de material humano de primeira qualidade, bem como de toda uma refinada cultura que, embora a moda européia servia de suporte para nossa cultura nacional. Um real status econômico e sócio-cultural.

        Ainda no século XVII, durante oito anos (1637 à 1645), aproximadamente, os Holandeses ocuparam a Vila do Penedo do Rio São Francisco, a qual passou a se chamar Maurícia. Quando expulsos pelos Penedenses, numa ação denominada “OPENEDA”, deixaram algumas pedras (edificações) sobre a Openedo (grande pedra), porém destruíram totalmente os registros do período de ocupação, bem como todos os documentos que tratavam da vida anterior da povoação estrategicamente edificada à margem esquerda do maior rio genuinamente brasileiro “O Velho Chico. Tal ação criminosa dos holandeses dificultou a missão de se definir o limite entre a lenda e a verdadeira história da origem da Vila do Penedo do Rio São Francisco.

       Após a derrota dos Holandeses (17/09/1645) e destruição do Forte Maurício de Nassau, uma nova Capela fora edificada ali, no local onde se encontra a majestosa Catedral Diocesana de Penedo (Igreja de Nossa Senhora do Rosário).

          Na época, em razão da vitória alcançada contra os “hereges” (Protestantes Calvinista) e, por ser o Padre MANOEL VIEIRA LEMOS, devoto da Virgem do Rosário, quiz consagrar a sua Paroquia à referida Santa. A mudança do Orago (Santo Antonio) foi conseguido com o apoio dos habitantes, consagrando a Paroquia à Nossa Senhora do Rosário.

 

O DOMÍNIO HOLANDÊS:

         Em 27 de março de 1637, um ano depois que o núcleo de habitantes foi elevado à condição de Vila, cai sob o domínio Holandês, tendo o líder dos invasores JOÃO MAURÍCIO DE NASSAU-SIEGEN (Nascimento 17/06/1604 Dillenburg – Alemanha – Falecido 20/12/1679 – Cleves – Alemanha), em 21 de abril de 1637, comunicado ao seu governo a vitória do feito militar, relatando da posse da Vila do Penedo do Rio São Francisco, a qual passaria ser denominada de “Maurícia”. E para a defesa de seus domínios, construiu na Vila o “Forte Maurício de Nassau”, desencadeando assim, gloriosa história de renhidas lutas para a população em seu passado valoroso e histórico.

          Como qualificado estrategista fez construir também um “Posto de Vigilância” no Morro do Aracares – Estado de Sergipe, dificultando o acesso possível de tropas entre Bahia e Pernambuco.

     A dominação batavo durou 08 (oito) anos, aproximadamente, sob o comando de um General, (VAN SCHKOPPE) que ali manteve uma força armada (1.600 homens). Não há registro sobre o que representou para Penedo a dominação holandesa. Dessa época existem apenas gravuras feitas por um dos artistas, (FRANZ JANSZ POST) trazidos por MAURÍCIO DE NASSAU.

         Os dominadores tinham sua sede em Recife e em 02 de abril de 1640, o Conselho Superior, instituiu na Vila do Penedo do Rio São Francisco um distrito, atendendo-se a necessidade de colocar Conselheiros Políticos, com o fim de executar as ordens e conter os moradores a cumprir o seu dever, isto porque o deliberou a Companhia das Índias Orientais, mas, embora sob o domínio Holandês, os Penedenses estavam sempre a lutar.

          Ainda em 1644, o povo Penedense passou a se mobilizarem em busca de liberdade. No início de Setembro de 1645, a perseguição aos invasores foi mais intensa, surgiu então, uma reação motivada e iniciada pelo Capitão VALENTIM DA ROCHA PITA, que recebeu nome de “Movimento Revolucionário Openeda”.

      Na Vila do Penedo do Rio São Francisco deu-se encontros animados, culminando com a existência de vários invasores situados no Forte, sem poderem mesmo subir na muralha.

          No dia 19 de Setembro de 1645, os recolhidos ao Forte foram estimados à rendição e no Alto do Monte Alegre, hoje, Praça Dr. Manuel Clementino do Monte, sob o comando do grande herói Penedense, Capitão VALENTIM DA ROCHA PITA, o qual motivado pelo sentimento cívico dos “Oparinos”e coadjuvado pela coragem da mulher Penedense, travou-se uma batalha (sangrenta) final, denominada “OPENEDA”, tendo os holandeses sido expulsos da Vila do Penedo do Rio São Francisco, deixando para traz, a terra banhada de sangue, em conseqüência da batalha tenaz e renhida que travaram, na tentativa de manterem o domínio. Assim, uma campanha heróica restaurou o domínio português, sendo erguida uma Cruz de Pedra (estilo bizantino), simbolizando o grande evento.

     Ao pressentirem a derrota, os Holandeses destruíram a fogo todos os documentos e arquivos existentes. Para arremate de obra, as forças vencedoras não deixaram pedra sobre pedra no Forte erguido pelos Holandeses. Em cinzas ficou, assim, a memória de um século de vida.

      No dia 19 de março do ano de 1659, os Franciscanos chegaram a Penedo. No ano seguinte, iniciaram a construção do construíram o Convento de São Francisco e da Igreja da Santa Maria dos Anjos, implantando escola de francês, latim e filosofia.

O SONHO DE LIBERDADE:

      Sobre as cinzas, em comemoração à expulsão dos Holandeses, os Brasileiros e Portugueses, como marco da grande vitória, ergueram uma Cruz de Pedra (Cruz das Armas), em estilo bizantino, solidamente cravada num pedestal também de pedra, como marco da grande vitória. Os braços da Cruz apontavam para o nascente e o poente, tendo o monumento resistido às intempéries durante dois séculos.

          Em 1817, houve alterações, um dos braços passou a apontar em direção a Recife/PE, em virtude da Revolução Pernambucana e/ou Revolução dos Padres, iniciada em 06 de março de 1817. Penedo aderiu a esta Revolução, soltando presos e fazendo desaparecer bandeiras e armas da realeza. O sonho de libertação durou pouco, apenas 14 dias e custou muito caro.

         Decorrido menos de um mês da insurreição, desolada, a Vila do Penedo do Rio São Francisco percebia que a Capitania da Bahia não aderira ao movimento e que às suas portas já encontravam Forças Legalistas de São Cristovão/SE. O Monumento de grande valor histórico erguido em comemoração a expulsão dos Holandeses, denominado pelo povo “Cruz das Armas“, covardemente foi arrancada de seu pedestal e mutilada.

          Uma delegação de líderes e autoridades seguiu para conferenciar com LUÍS DE LIMA BRITO E NOGUEIRA. “O Conde dos Arcos”, Governador da Bahia, mas foi presa no povoado de Vila Nova/SE. Apesar das manifestações solenes de adesão ao governo constituído, a população de Penedo passou a ser perseguida. Insatisfeito, no dia 15 de abril de 1817 o povo e as autoridades de Penedo se concentraram no Paço da Câmara para protestar contra as perseguições, o que eles consideravam de “Revoltante Procedimento” e, cobrar dos poderes competentes providências para garantir uma vida tranquila (normal) e o funcionamento do comércio que à época estava sensivelmente prejudicado.

      Diante da manifestação pública, a Câmara se reúne, mas logo foram surpreendidos por Forças Legalistas de Vila Nova, sendo presas as principais autoridades de Penedo. Mas, os destacados Penedenses foram libertados depois por ordem do Conde dos Arcos.

       As represálias persistiram, não obstante ter o Burgo aderido ao Governo Legal, inclusive 02 dois Regimentos Penedenses partiram para lutar contra os Pernambucanos e voltaram vitoriosos.

A RECOMPOSIÇÃO:

       Apesar do contratempo, a vida na mais importante povoação das margens do Rio São Francisco, aos poucos vai se caracterizando:

         Em 03 de fevereiro de 1760, pelo Coronel JOÃO PEREIRA ALVES, era fundada a Santa Casa de Misericórdia de Penedo.

        Em 08 de março de 1841, foi criada a Repartição Arrecadadora de Penedo (Mesa de Rendas de Penedo).

Em 18 de abril de 1842 (Lei Provincial nº 3), a Vila do Penedo do Rio São Francisco é elevada à categoria de Cidade conservando o título de:  Mui nobre e sempre leal, assim como outras duas vilas: Alagoas (atual Marechal Deodoro) e Porto Calvo.

          Em 27 de maio de 1847 a Mesa de Renda de Penedo, foi transformada em Consulado.

        Já a segunda metade do século XIX, face de extraordinário progresso econômico e cultural para Penedo, fui muito significante, dada à sua importância, a ponto de Penedo ter inaugurado importantes empreendimentos e recebido visitas ilustres:

        Em 05 de maio de 1849, Fundação do Liceu Alagoano, hoje Colégio Estadual Comendador José da Silva Peixoto, sendo seu primeiro diretor o Dr. JOSÉ PRÓSPERO JEOVÁ DA SILVA CAROATÁ

          Em 14 de outubro de 1859, Penedo se transformou, por um dia, em Sede do Governo Imperial, quando em clima festivo recepcionou e hospedou sua Majestade Imperial D. PEDRO II (Imperador do Brasil), no prédio da “Família Lemos”, cujo local foi transformado em Palácio Imperial D. Pedro II, hoje Paço Imperial (junto funciona o Memorial Raimundo Marinho). Antes de seguir viagem com destino a Cidade de Paulo Afonso, o Imperador assistiu missa na Igreja de Nossa Senhora da Corrente e seduzido pelo povo e pelos palacetes e sobrados da cidade deixou em seu diário de viagem:

.está deveria ser a capital da Província.

          Em 7 de dezembro de 1866, com a publicação do Decreto Imperial nº 3.749. Penedo destacava-se no cenário mundial, estava aberta a navegação do Baixo São Francisco aos navios mercantes de todas as nações até o Porto de Penedo.
Em 31 de julho de 1867, data da publicação do Decreto Nº 3.920, foi criada a Alfândega de Penedo.

         Em 29 de maio de 1878 (Resolução Provincial Nº 781), foi restaurado o Consulado de Penedo.

         Em 07 de junho de 1880 (Resolução Provincial Nº 838), foi criado em Penedo as Escolas Práticas, com a finalidade do exercício e prática dos candidatos ao Magistério Público.

          E no dia 07 de setembro de 1884, era concluída a construção do palco das artes, o Theatro Sete de Setembro. O primeiro Teatro da Província (Estado) de Alagoas. Palco de grandes companhias européias de teatro, centro de arte e cultura de toda a região, o qual era de propriedade da Imperial Sociedade Philarmônica Sete de Setembro. e atualmente é administrado pela Prefeitura Municipal de Penedo.

          Em 27 de agosto de 1889, sua alteza Príncipe Dom GASTÃO DE ORLÉANS E BRAGANÇA (Conde D’ Eu), chegou a cidade e foi recebido em audiência especial pela direção da Associação do Montepio dos Artistas, tendo a entidade sido contemplada com 100 mil Contos de Reis (há comentários de que foi para a construção do muro do cemitério), por sua vez o Príncipe foi agraciado com o título de “Sócio Protetor”.

.

.

 

3 Respostas to “1. HISTÓRIA”

  1. Benivaldo Santos 16 de junho de 2015 às 14:51 #

    Sei que fazem anos desde a minha partida, claro, muita coisa mudou no Beco do Tamanduá
    Estou voltando se Deus quiser.

  2. MARIA ELUZIA DOS SANTOS 25 de janeiro de 2015 às 18:31 #

    EU SOU UMA PENEDENSE, NASCIDA NESTA CIDADE NA MATERNIDADE LOCAL. ESTOU EM SÃO PAULO, DESDE JUNHO DE 1970. HÁ 16 ANOS QUE NÃO VOU A PENEDO, SINTO MUITA VONTADE DE FAZER ESTA VIAGEM, ENTRETANTO, O TRABALHO NOS SUFOCA.
    ADOREI DESCOBRI ESTA PÁGINA. FIZ ALGUNS TRABALHOS ACADÊMICOS SOBRE A CIDADE E, LER E VER AS SUAS FOTOS (IMAGENS) ALIVIAM EM MUITO A MINHA SAUDADE.
    VIVI MUITO TEMPO EM MACEIÓ/AL, PORÉM, FOI NA ROCHEIRA A MINHA VIDA.
    BEIJOS.

    • Márcio Felipe 6 de julho de 2015 às 16:42 #

      Curta bem esta página sobre Penedo.

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