4. RIO SÃO FRANCISCO


SÃO FRANCISCO

O RIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL

Américo Vespúcio

AMÉRICO VESPÚCIO, (AMERIC VESPVCE) – Descobriu o Velho Chico – 04/10/1501.

          Em 04 de outubro de 1501, o navegador e cosmógrafo AMÉRICO VESPÚCIO (nasceu em 09/03/1454 – Florença/Itália e faleceu em 22/02/1512 – Sevilla/Espanha) acompanhado de ANDRÉ GONÇALVES, descobriu a foz de um grande rio e, seguindo a tradição, em homenagem ao Santo (São Francisco de Assis – nascido na Itália, em 1182), cortejado naquele dia, AMÉRICO VESPÚCIO (AMERIC VESPVCE), lhe deu o nome de “Rio São Francisco”, cujos habitantes (nativos) da região, os Índios Caetés, chamavam-no de OPARA dos Caetés, o Rio Mar (Grande Rio). Estava descoberto o caminho líquido que iria proporcionar o circulo de riqueza e intercâmbio artístico-cultural, para toda a região. Mas foram os Franceses, em 1522, os primeiros a subirem o OPARA e conquistar a confiança dos nativos. Uma estratégia inteligente para facilitar o contrabando o Pau-Brasil e livrarem-se assim, das Expedições Guarda-Costas que patrulhavam o Litoral.

Vista do Forte Maurício de Nassau - Porto da Rocheira Penedo-AL

Vista do Forte Maurício de Nassau (alto à direita) – Porto da Rocheira – Penedo-AL

         Quando DUARTE COELHO PEREIRA (1º Donatário), decidiu conhecer melhor a Costa Sul de sua Capitania, atingiu o Rio São Francisco, penetrou alguns cursos fluviais e chegou, em 10 de outubro de 1545, a um “penedo” (Grande Pedra), à margem esquerda, tendo fundado a Vila do Penedo do Rio São Francisco (atual Cidade de Penedo, em Alagoas) e ali, deixou alguns colonos (famílias Portuguesas), iniciando-se o processo de colonização daquele núcleo. Com autorização da Coroa Portuguesa, vários proprietários de terras (grandes fazendeiros), obtiveram êxito na criação e comercialização de gados. Atividade econômica que marcou a história do Vale do São Francisco, chegando o “São Francisco” a ser chamado “Rio-dos Currais”.

         O Rio São Francisco é fonte de vida e de riqueza, suas águas possibilitam o múltiplo uso do seu potencial hídrico, para abastecimento humano, irrigação da agricultura, navegação, piscicultura, geração de energia, lazer e turismo, na realidade é um dos mais importantes cursos d’água da República Federativa do Brasil e de toda a América do Sul.

Indicação da Nascente do Rio S. Francisco.

Placa indicativa – Nascente do Rio S. Francisco.

          A errônea chamada nascente histórica (Serra da Canastra, Município de São Roque de Minas/MG), a qual por muito tempo se pensou ser a nascente real, encontra-se a 1,2 mil metros de altitude, aproximadamente. O desbravador e naturalista, SAINT-HILAIRE, preferiu trabalhar um pouco mais e dar ao Rio São Francisco um berço mais nobre. As novas verdades sobre a correta nascente do São Francisco já foram objetos de discussão em pelo menos três congressos de sensoriamento remoto e, agora, estão comprovadas por uma equipe de técnicos que usaram imagens de satélite e medição por GPS geodésico. Estudos dão conta de que a nascente real e geográfica do Rio São Francisco – carinhosamente chamado de “O Velho Chico”, está localizada no município de Medeiros/MG. Sua primeira grande cachoeira, a Casca d’Anta (186 metros de altura), esta situada no distrito de São José do Barreiro/MG (acesso pela portaria nº 4 do Parque Nacional).

          O Rio da Integração Nacional (São Francisco), esta na alma e na memória dos ribeirinhos, é o segundo maior do Brasil e por onde passa, deixa marcas. Cada trecho das suas margens guarda riquezas da cultura e da história do Brasil. Pelo caminho, o Velho Chico torna-se celeiro de energia elétrica, produzida nas usinas implantadas no seu leito, sendo responsável pelo funcionamento de cinco Usinas Hidroelétricas, o Rio percorre regiões com condições naturais das mais diversas do Estado da Bahia, fazendo sua divisa ao norte com o Estado de Pernambuco, naturalmente constitui a divisa dos Estados de Alagoas e Sergipe, e, mais adiante, deságua no Oceano Atlântico, na região da Praia do Pontal do Peba (margem esquerda Alagoana) e Praia do Cabeço (margem direita Sergipana), um “Gigante pela própria natureza.”

Cachoeira Casca D'Anta - formada pelas águas do Velho Chico

Cachoeira Casca D’Anta – Serra da Canastra – São Roque de Minas/MG.

          Com uma área drenada de 641 000 km², aproximadamente, atingindo 2 830 km de extensão, sua Bacia Hidrográfica (634 mil km²) também envolve parte do Estado de Goiás e o Distrito Federal. Ao longo de sua extensão aparecem várias quedas d’água, destacando-se a belíssima Cachoeira Casca D’Anta (186 m de queda D’água), além das Cachoeira Grande (2.800 m de extensão); a Cachoeira de Pirapora, que faz limite entre o curso alto e médio do rio; a Cachoeira de Sobradinho, (5 km de extensão), a Itaparica, a quarta cachoeira do Alto ao Baixo São Francisco que, com seu grande volume de água, dá ao sítio um aspecto pitoresco e a Cachoeira de Paulo Afonso, uma das cascatas mais altas do mundo (82 metros de fundo) e de uma beleza natural ímpar, além de Xingo e Três Marias.

          O Rio São Francisco possui dois estirões navegáveis: O médio, entre Pirapora/MG, Juazeiro/BA e Petrolina/PE (extenção: 1.371 km) e o baixo, entre Piranhas/AL e sua foz, no Oceano Atlântico (extenção: 208 km), uma trilha de águas cercado pela variedade de uma cultura popular que, como o Velho Chico, está sempre em movimento.

         Alguns moradores se inspiram em histórias que ouviu quando pequeno, “As Carrancas” é uma delas, homens (artesãos) talentosos fazem na madeira as caras estranhas desses seres que são como uma marca do rio. As Carrancas se multiplicando no vale do São Francisco e novas surgem a cada dia.

Canoa de Tolda Luzitânia - Brejo Grande-SE - 2010

Canoa de Tolda Luzitânia – Tombada pelo IPHAN – 2010

         Duas relíquias ainda navegam nas águas do Velho Chico, as Canoas de Tolda “Piranhas” e “Luzitânia”, fazendo o transporte dos produtos e movimentando a economia da região. A segunda, com capacidade para 200 sacos (60 kg cada), em dezembro de 2010, num processo que durou 10 (dez) anos, foi tombada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Considerada uma das mais antigas embarcações ainda em atividade no Baixo São Francisco, com o apoio de Canoeiros tradicionais, foi comprada e restaurada pela Sociedade Canoa de Tolda – Cidade de Brejo Grande/SE.

Festa B. Jesus dos Navegantes - Embarque da Imagem - Penedo-AL

         Nas margens, algumas cidades preservam uma arquitetura bem peculiar e outras vivem da fé, como é o caso de Penedo, em Alagoas, onde um número grande de fieis acredita nos milagres de Bom Jesus dos Navegantes, fato a ser sentido quando da realização da gigantesca festa que ocorre no segundo domingo do mês de cada Janeiro. Em Bom Jesus da Lapa, na Bahia, com sua gruta, ponto de encontro de fiéis católicos. As manifestações culturais envolvem os ritmos. O samba de velho é uma dança levada de um passado distante para o futuro por descendentes de negros e índios da ilha do Massangano, em Petrolina, Pernambuco.

      Arquitetos, antropólogos e pesquisadores de diversas áreas do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN estiveram em 90 localidades espalhadas por 1,6 mil quilômetros do rio e elaboraram um retrato da diversidade do São Francisco. Há alguns anos, vários problemas de natureza social e econômica vêm afetando o percurso natural do rio, como o assoreamento, o desmatamento de suas várzeas, a poluição, a pesca predatória, as queimadas, o garimpo e a irrigação.

          Quinhentos anos depois de seu descobrimento, o Rio São Francisco é, ainda hoje, o principal recurso natural que impulsiona o desenvolvimento regional. Diante dessa extraordinária importância para o Brasil, no decorrer desses 500 anos de exploração, o Velho Chico necessita de um melhor tratamento. A sua preservação se faz necessária e urgente, para que ele possa ser útil também às futuras gerações.

O RIO DAS DUAS NASCENTES:

Confluência do Rio São Francisco (Esq.) e Rio Samburá (fundo) - Medeiros/MG

Confluência do Rio São Francisco (Esq.) e Rio Samburá (fundo) – Medeiros/MG

    Uma equipe técnica da CODEVASF (Companhia de desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba), Coordenada pelo Engenheiro Agrônomo GERALDO GENTIL VIEIRA (idealizador da Expedição Américo Vespúcio), após ter percorrido de barco toda extenção (nascente à foz) do Rio São Francisco, num período de 35 dias, concluiu relatório, que deu uma guinada geográfica de 180 graus no local de nascimento do mais importante, polêmico, usado e espoliado rio brasileiro (notícia publicada em primeira mão no site Folha do Meio Ambiente, em 23/04/2004): o Rio São Francisco, chamado de Rio dos Currais na época colonial.

          Assim, no relatório consta os novos dados atinente a extenção do Rio São Francisco: 2.814,12 km, para o trecho tradicional ou histórico do rio (nascentes na Serra da Canastra), e 2.863,30 km para o trecho dito geográfico do Samburá (nascentes na Serra D’Agua), no pequeno município de Medeiros/MG.

Geraldo Gentil Vieira - Engenheiro Agrônomo - CODEVASF

Geraldo Gentil Vieira – Engenheiro Agrônomo – CODEVASF.

         O Engenheiro GERALDO GENTIL VIEIRA pode então anunciar que a beleza e a exuberância da cachoeira “Casca D´Anta” roubaram a verdadeira nascente do Rio São Francisco, isso graças aos estudos e cálculos realizados pela sua equipe técnica, apesar de que já haviam comentarios de Espeleólogos e Canoístas, os dados geográficos do Velho Chico mudaram: “A verdadeira nascente é sim no planalto do Araxá, no município de Medeiros/MG”.

          Então:

          – “A César o que é de César, a Deus o que é de Deus e ao São Francisco o que é do São Francisco. Sobretudo, a correta certidão de nascimento”.

DADOS DA BACIA DO RIO SÃO FRANCISCO (DADOS HISTÓRICOS):

Área: 634 mil Km²

Afluentes: São 168 afluentes, dos quais 99 são perenes, 90 estão na sua margem direita e 78 na esquerda;

Municípios abrangentes: São 504 municípios, ou 9% do total de municípios do país abrangidos pela referida Bacia. Desse total, 48,2% estão na Bahia, 36,8% em Minas Gerais, 10,9% em Pernambuco, 2,2% em Alagoas, 1,2% em Sergipe, 0,5% em Goiás e 0,2% no Distrito Federal.

Divisão do trecho:

1. Alto São Francisco Das nascentes até a cidade de Pirapora (MG), com 100.076 km², ou 16% da área da Bacia, e 702 km de extensão. Sua população é de 6,247 milhões de habitantes.

2. Médio São Francisco De Pirapora (MG) até Remanso (BA) com 402.531 km², ou 53% da área da Bacia, e 1.230 km de extensão. Sua população é de 3,232 milhões de habitantes.

3. Submédio São Francisco De Remanso (BA) até Paulo Afonso (BA), com 110.446 km², ou 17% da área da Bacia, e 440 km de extensão. Sua população é de 1,944 milhões de habitantes.

4. Baixo São Francisco De Paulo Afonso (BA) até a foz, entre Sergipe e Alagoas, com 25.523 km², ou 4% da área da Bacia, e 214 km de extensão. Sua população é de 1,373 milhões de habitantes.

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