Igreja/SÃO GONÇALO GARCIA DOS HOMENS PARDOS


Igreja de S. Gonçalo Garcia dos Homens Pardos - Av. Floriano Peixoto - Penedo-AL

Igreja de S. Gonçalo Garcia dos Homens Pardos – Av. Floriano Peixoto – Penedo-AL

 

          Nas primeiras décadas do século XVII, exatamente na área em que foi erguido o presente Templo (Igreja de São Gonçalo Garcia dos Homens Pardos), existia um Nicho rústico, no qual, costumeiramente, os mendigos faziam suas orações. No ano de 1682, impressionados com o aumento do sentimento religioso da população, os ermitões (devotos de S. Gonçalo Garcia) tomaram a decisão de demolir o Nicho e ali construir uma simples Capela primitiva.

           Na época em que já havia sido organizada a Irmandade do Mártir São Gonçalo Garcia, o então Coronel MANUEL MARTINS RAMOS, fiel ao Mártir São Gonçalo Garcia, percebendo a necessidade de a população poder desfrutar de um Templo espaçoso, buscou para si a responsabilidade dos custos da demolição daquela Capela primitiva e construção de um novo recinto religioso. O início dos trabalhos de edificação se deu ainda em 1758 e concluídos em 1759 1. Como o terreno era pantanoso a Igreja de São Gonçalo Garcia dos Homens Pardos foi construída sobre um estrado de madeira (aroeira).

       1. “No dia 21 de dezembro de 1759 foi feita a benção solene do Templo, sendo a miraculosa imagem de São Gonçalo, em imponente procissão, trazida da Igreja do Rosário para o seu Altar no novo Templo.” AMINADAB VALENTE.

          A arquitetura da Igreja de São Gonçalo Garcia dos Homens Pardos é uma obra de arte especial, destacando-se a excelente qualidade do trabalho de cantaria em seu Frontispício 2, o qual é ricamente trabalhado com motivos barrocos, cortes de pequena profundidade lembram a ourivesaria, rendilhados em pedra calcária da região, estilo D. MARIA I; com o Frontão em linhas curvas e contra curvas, dentro de um traçado barroco; tem três Portas Centrais e duas Portas laterais todas almofadadas e quatro Janelas. No centro sobre a Porta Principal há um Nicho, rodeado por uma decoração em cantaria, encimado por uma Coroa de rara imponência também em pedra, dentro do estilo rococó e, no seu interior está à expressiva e venerada imagem do Padroeiro em linha barroca portuguesa.

         Impressionante são as figuras antropomórficas, “Carrancas”, de uma gramática espanhola, introduzidas (esculpidas) na base (pedestais) das Ombreiras da Porta Principal, como nos Retábulos Proto-Barrocos Espanhóis. Os óculos e vergas das portas e janelas recebem uma ornamentação como lavor de ourivesaria; no Pórtico é observada a data de 1770, identificação provável em que o mesmo foi definitivamente construído.

       2. Referência esclarecedora sobre o valor artístico da fachada da Igreja: “Na época de Dona Maria I, por volta de 1800, os ornamentos dão a impressão de terem sido recortados e transpostos para a parte lisa da parede; a fachada de S. Gonçalo Garcia de Penedo/AL, que data dessa época, lembra em especial o estilo rendado.” GERMAIN BAZIN.

         A Nave é espaçosa e simples com quatro Portas que dão acesso aos corredores e as várias Janelas com parapeitos em madeira. Conta com dois Púlpitos bem trabalhados; dois Altares de Canto e quatro Altares Colaterais, todos em estilo neoclássicos (Escola Baiana). Há um belo Gradil de Ferro trabalhado na extensão da Nave. Um Arco Cruzeiro elegante separa a Nave da Capela-mor, estreita e profunda, bem conforme o estilo barroco (colonial), próprio das igrejas brasileiras na fase colonial.

          O Retábulo da Capela-mor é de linha neoclássica (Escola Baiana), possuindo talhas semelhantes aos de Salvador, com um camarim e vários Nichos. O Altar-mor é em estilo barroco, fica lateralmente ao Arco-Cruzeiro, a frente do amplo Consistório assobradado e da Sacristia com um Lavabo (valor artístico incalculável) em pedra calcária de estilo Rococó e, um Altar em Madeira onde se lê:

S. GONÇALO GARCIA FEITO EM 1790.”

          Um aspecto que muda o todo arquitetural, é o fato das Torres apresentarem uma hipertrofia estética, “pontiagudas”, seguindo uma linha de estilo gótico. Até a cornija conservam a gramática barroca, daí para cima foram alteradas, apresentando uma cobertura vertical, indicando claramente que houve interrupção na sua construção, demonstrando serem feitas em épocas diferentes (século XIX), cujas alterações comprometeram o equilíbrio original do monumento.

Ecce Homo - Uma das mais antigas imagens sacra - Penedo-AL (Brasil)

Imagem “Ecce Homo” – Penedo/AL (Brasil).

         O conjunto de imagens da Igreja de São Gonçalo Garcia dos Homens Pardos é de uma importância extraordinária, talvez as mais belas e expressivas do Brasil. Em seu interior merece um realce especial um conjunto de imagens da Semana Santa, representando os passos da Paixão de Cristo, em madeira, uma riqueza em arte barroca Portuguesa, sendo algumas de Roca, outras de corpo inteiro, todas de tamanho natural e adquiridas pela Irmandade (via Alfândega), proveniente de um contrabando no Porto de Penedo vinda de Portugal. O tipo em madeira vai-se encontrar na invasão do “Barroco” na Espanha, em substituição as imagens de mármores.

         Além dessas existem outras de grande valia, como é o caso da belíssima imagem (tamanho natural) “ECCE HOMO” (Eqce Homo) venerada, primeiramente, em um Nicho que existia na antiga Rua da Praia (depois Rua do Commércio), atualmente Praça Comendador José da Silva Peixoto.

    3. “A imagem ECCE HOMO, Era venerada em um Nicho, então existente na Rua da Praia, com fundos para o Rio São Francisco, que fora derribado em vista de uma Provisão do Ouvidor MANUEL PEREIRA CASTELO BRANCO e da Câmara Municipal, datada de 1? de fevereiro de 1726. Essa imagem representa uma página do passado, é talvez a mais antiga de Penedo/AL. ” AMINADAB VALENTE.

          Em 03/02/1770, a Irmandade do Mártir São Gonçalo Garcia, fundou o Hospital de Caridade Nossa Senhora da Conceição, em uma casa localizada ao lado da Igreja de São Gonçalo Garcia dos Homens Pardos, tendo a Irmandade, desde os tempos primórdios, tomado para si a direção e sustentação do referido Nosocômio. Em época de crise o Hospital funcionou em outros locais, inclusive no Convento Franciscano de Santa Maria dos Anjos, entre 1883 e 1893. A desocupação se deu em razão da chegada dos Padres Alemães, que ajudariam na restaurar a Província de Santo Antônio do Nordeste do Brasil, sendo o último Provincial, Frei ANTÔNIO DE SÃO CAMILLO DE LELIS, o qual procurou reaver o convento para alojar os novos Frades.

          Em 06/09/1915, Dom MANUEL ANTÔNIO DE OLIVEIRA LOPES (Bispo Emérito da Diocese de Maceió/AL – 1911 à 1922), concedeu autorização, logo após ter recebido petição do Vigário BATISTA, para que fosse erecta via sacra por Frei JOAQUIM BENKE (O. F. M.), a qual se deu em 08/03/1916.

         Há registro de que o belo templo sofreu melhoramentos, inclusive no início do século XX, quando obras foram executadas a mando do Padre MANUEL RIBEIRO VIEIRA, o qual havia sido nomeado Vigário de Penedo em 24/05/1904, por Dom ANTONIO MANUEL DE CASTILHO BRANDÃO (Bispo Emérito de Alagoas – 1901 a 1910).

         A Igreja de São Gonçalo Garcia dos Homens Pardos é mais uma das obras da cidade de Penedo (Alagoas) tombada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), conforme Resolução do Conselho Consultivo/IPHAN, de 13/08/85 (Processo Administrativo nº 13/85/IPHAN). O visitante que adentrar a referida Igreja, sem sombra de dúvida, irá admirar sua beleza interna e se encantar com as imagens de:

– Senhor dos Passos;

– Senhor da Prisão;

– Senhor da Pedra Fria;

– Senhor da Cana Verde;

– Nossa Senhora das Dores;

– Cabeça de João Batista (lavra do Mestre CESÁRIO PROCÓPIO DOS MÁRTYRES);

– São Gonçalo Garcia;

– Nossa Senhora do Patrocínio;

– São Vicente Ferrer;

– São José;

– São Pedro – Os dois últimos da lavra do Mestre ANTONIO PEDRO DOS SANTOS.

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LOCALIZAÇÃO:

– Praça Floriano Peixoto, s/nº (antigo Largo de São Gonçalo) – Centro Histórico – Penedo/AL (Brasil).

– Fone:

– CEP: 57200-000.

 

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Fontes de Pesquisas:
– IHGAL – Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas.
– Livro:  Penedo Sua História – Aminadab Valente – Ano 1957.
– Livro: Templos, Ordens e Confrarias – Ernani Otacílio Mero – Ano 1991.

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